Analzira do Nascimento – Entrevista

Uma das preletoras do nosso Congresso será a missionária Analzira Nascimento. Reconhecida pelo seu longo trabalho de evangelismo na Angola, hoje ela é responsável pelo programa “Radical Jovem” da Junta de Missões.

Confira abaixo sua entrevista dada à Revista Colheita em janeiro de 2012.
Analzira Nascimento, atualmente coordena o JMM Jovem, um braço da JMM para falar de missões e vocação. Recentemente, em parceria com o Pr. Jarbas Ferreira da Silva, escreveu o livro Missão, Missões, Antimissão – O projeto de Deus e os empreendimentos humanos.

A Colheita: Por muitos anos você foi a cara do projeto Radical – Voluntários sem Fronteiras. Como é a sua relação hoje com este projeto e com o JMM Jovem?

Analzira Nascimento: Eu gosto muito de alguns textos do Amyr Klink e ele disse que o homem tem um defeito que é eternizar procedimentos e repetir fórmulas vencedoras, sempre. Depois de 17 anos trabalhando em meio à guerra civil de Angola, terminamos a construção do Seminário Teológico Batista do Huambo. A JMM me convidou para retornar ao Brasil com o propósito específico de começar o projeto Radical. Entretanto, eu me sentia inquieta e insatisfeita ao verificar que muitos não tinham vocação para ser um Voluntário sem Fronteiras. Mas também não tínhamos uma proposta de missão que falasse da essência da vocação. Foi assim que nasceu o JMM Jovem, um movimento que se propõe ser um facilitador, contribuindo para que cada um descubra sua parte no projeto de Deus para o mundo e sua vocação no Reino de Deus. Junto com os Voluntários sem Fronteiras somamos esforços de tal forma que todos sejam incluídos na missão de Deus para o universo.

A Colheita: As pessoas hoje têm muitas responsabilidades (estudos, família, trabalho, igreja, namoro…).  É possível conciliar tudo isso com o chamado de Deus?

AN: Chamado e vocação são a mesma coisa. Todos somos vocacionados para um trabalho específico. Todos temos um chamado: primeiro para ser da família de Deus, depois para servir ao Pai servindo ao próximo. Alguns são vocacionados para o ministério pastoral ou trabalho missionário com dedicação exclusiva, outros glorificam a Deus com sua vocação profissional. Quando estamos no lugar certo, com as pessoas certas, fazendo o que devemos e precisamos fazer com dedicação e para a glória de Deus estamos exercendo a nossa vocação.

A Colheita: O que falta para que as pessoas entendam a sua vocação?

AN: Usarmos todos os meios possíveis para divulgar que vocacionado não é somente quem vai para a China, ou assume uma igreja. A Bíblia não fala isto. A palavra de Deus é clara ao afirmar que todos os cristãos são vocacionados para servir neste mundo glorificando a Deus com o que são, têm, sabem e com o que gostam de fazer. Todos fazemos escolhas o tempo todo. É preciso ter uma meta, um foco. Em momentos extremamente difíceis, é preciso recorrer a Deus e escolher. Isso pode envolver renúncia, negação a si mesmo, ou luta contra as próprias emoções. Podemos escolher correr atrás do vento, sendo arrastados pelos modismos e estilo de vida da multidão ou ter um estilo de vida encharcado do amor de Deus. Amor que inunda decisões, escolhas e emoções. Amor que inunda por dentro e irradia por fora: um jeito de ser que tem luz. Podemos, sim, decidir viver uma vida que glorifique a Deus em todo o tempo!

A Colheita: Qual a proposta principal do JMM Jovem e quais os planos para 2012?

AN: A frase “Deus não me deixe de fora daquilo que o Senhor está fazendo no mundo”, usada inicialmente como uma oração carinhosa e alegre e citada em congressos desde 2003 quando assumi a coordenação do Radical – Voluntários sem Fronteiras, começou a contagiar jovens e adultos. Da mesma forma, o movimento JMM Jovem foi conquistando aqueles que se identificavam com essa mesma oração. Decidiram optar por um novo estilo de vida, reconhecendo a transitoriedade deste mundo e disponibilizando seus dons e talentos para servir ao próximo para a glória de Deus. Além de ser um facilitador na descoberta da vocação de cada um no Reino, oferecemos algumas programações diferenciadas onde é possível refletir sobre o sentido da vida e buscar novos rumos numa parceria séria com Deus. Temos feito viagens missionárias para conhecer o trabalho em outras nações e contribuir com ações de impacto. Temos feito também o Expresso JMM Jovem em igrejas, trabalhando esta ‘descoberta’ de vocação e palestras sobre ‘Vocação, Carreira e Missão’, palestras sobre missão integral em seminários, além de outras atividades.

A Colheita: Como você analisa a missão da igreja no mundo?

AN: A vivência da Igreja de Jesus Cristo em uma situação de guerra, principalmente uma guerra civil, a coloca diante da sua mais pura e real condição, que é ser peregrina, sofredora e pobre. Os 17 anos que vivi na dura realidade da guerra de Angola sedimentaram alguns ensinamentos sobre a missão da igreja no mundo, dos quais podem se destacar alguns aspectos: a igreja pode ser uma comunidade solidária, sofrendo junto com a população e exercendo o seu diaconato nos momentos críticos. A atuação da igreja no pastoreio espiritual de consolo e em projetos “sociomissionários” não permitiu que ela ficasse paralisada diante da dor, tampouco se resignasse com a miséria imposta pela guerra, mas junto com o povo foi descobrindo que a crise também traz oportunidades imperdíveis para exercer sua missão.

A Colheita: Seu livro é fruto de sua experiência na Angola. Do que trata o texto?

AN: O grande diferencial do texto reside precisamente no estudo de caso de Angola, onde demonstramos que a prática missionária libertadora funciona dentro de um paradigma novo, que privilegia o relacionamento íntimo com Deus e o serviço ao próximo. Este livro proporciona arejamento, revisões de paradigmas e leva o leitor a arriscar-se pelas avenidas da crítica, da teologia e da prática missionária. Procuramos levar o leitor a encontrar no ato de servir a principal estratégia para retratar, pelo exemplo de vida, o amor generoso e inesgotável de Deus.

*Texto adaptado e retirado de (http://issuu.com/missoesmundiais/docs/a_colheita_43)

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Publicado em 17/07/2012, em Congresso, Preletores e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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